Inclinei-me ao caldeirão em silêncio,
como quem se aproxima de um segredo antigo,
e o vapor suave tocou meu rosto
com a delicadeza de um sussurro esquecido.
Não era apenas perfume…
era memória viva, pulsando no ar.
Senti o cheiro de um abraço que não dei o suficiente,
de risadas guardadas em algum lugar.
Havia notas doces de tardes douradas,
de vento leve atravessando o coração,
e um toque suave quase teu
como se teu nome existisse na sensação.
Fechei os olhos, rendida ao instante,
e por um segundo, tudo fez sentido:
o amor não estava na poção diante de mim,
mas no que em mim já havia sido sentido.
E ainda assim… que doce perigo,
esse aroma que insiste em ficar,
como se o impossível tivesse forma
e aprendesse, enfim, a me chamar.