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Ela não anda, ricocheteia. Cada passo de Jinx é um erro calculado, uma provocação ao destino que insiste em sobreviver. As luzes piscam porque têm medo dela. As paredes lembram, mesmo quando ela tenta esquecer. Há tinta nas mãos, pólvora nos pulmões e um riso que não pede permissão para existir.

Dentro da cabeça, nada dorme. As ideias se atropelam como trens sem trilhos, cada uma gritando que é a mais importante. Há lembranças que sangram azul, vozes que usam nomes antigos, rostos que aparecem onde não deveriam estar. Jinx não pensa: ela detona pensamentos.
Cada memória é um estopim, cada afeto, uma ameaça prestes a explodir.

O caos não é acidente  é idioma. Ela o fala com fluência cruel. Onde outros veem ruína, Jinx vê ritmo. Onde o mundo exige controle, ela responde com excesso. O dedo no gatilho treme não por medo, mas por ansiedade de criar algo irreversível. Algo que faça barulho suficiente para calar as vozes por um segundo sequer.

Há momentos, raros e perigosos, em que o silêncio chega. Neles, ela quase entende. Quase sente. Quase volta a ser algo que não queima tudo ao redor. Mas o silêncio é frágil demais, e Jinx aprendeu cedo que coisas frágeis não sobrevivem. Então ela ri. Ri alto. Ri torto. Ri até o peito vibrar e o passado recuar assustado.

Ela é feita de estilhaços, e cada um corta de um jeito diferente. Não busca redenção busca impacto. Quer marcar o mundo como o mundo a marcou: sem aviso, sem cuidado, sem volta. Se há beleza nisso, é uma beleza nervosa, inquieta, que pisca como um pavio aceso no escuro.

Jinx corre porque parar seria ouvir demais.

Corre porque o caos a obedece melhor em movimento.

 Corre porque, no fundo, sabe: enquanto tudo explode ao redor, ela ainda existe. E existir, para ela, já é o maior ato de rebeldia.