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O Aroma do Invisível

O brilho madrepérola serpenteia o ar,

Em bolhas que guardam o que a mente esqueceu,

Não é o perfume de um campo a brotar,

Mas o rastro de um tempo que já se perdeu.

Sinto o cheiro de chuva no asfalto quente,

Aquele alívio que o céu traz ao chão,

Misturado ao livro guardado, ausente,

Com folhas amareladas de alguma canção.

Há um toque de café com canela e cuidado,

De manhãs sem pressa, de luz no lençol,

O frescor do algodão que foi bem lavado,

Secando sereno sob o brilho do sol.

É um perfume que prende, que engana e seduz,

Caminho de seda para um precipício,

Pois a poção não traz o amor que conduz,

Apenas o eco de um doce vício.

Retiro meu rosto, desperto do transe,

Pois sei que a essência é só ilusão;

O amor verdadeiro não nasce num lance,

Nem borbulha em potes de pura obsessão.

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Habblive