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Coroa Velada

Sob a penumbra de um salão ancestral, a coroa repousava como testemunha silenciosa de eras que já haviam se dissolvido no tempo. Seu veludo carmesim guardava marcas invisíveis deixadas por mãos que um dia a sustentaram com firmeza e, por vezes, com temor. Não era apenas um símbolo de comando, mas um relicário de histórias que jamais seriam plenamente contadas. Aqueles que a vestiam aprendiam, cedo ou tarde, que o poder não reside na ostentação, mas na solidão das decisões. Cada ordem proferida moldava destinos, cada silêncio preservava ou destruía alianças, e cada escolha exigia renúncias que o povo jamais enxergaria. Liderar não era caminhar à frente, mas carregar o peso invisível daqueles que confiavam suas esperanças a uma única figura. O legado deixado por um governante não se media pela grandiosidade de seu reinado, mas pela estabilidade que proporcionava após sua partida. Alguns foram lembrados por conquistas gloriosas, outros pela coragem de abdicar de desejos pessoais em favor do coletivo. A coroa, imparcial e eterna, apenas aguardava o próximo a compreender que autoridade verdadeira nasce do equilíbrio entre força e compaixão. Assim, o trono jamais pertenceu a quem o ocupava, mas sim à responsabilidade que ele exigia. Pois governar, acima de tudo, era aceitar que o maior sacrifício de um líder é existir para todos, mesmo quando não pode existir para si.

Kitty, Habblive.