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Faíscas Não Pedem Permissão

As luzes piscam demais. Ou talvez seja minha cabeça. Nunca sei ao certo onde termina a cidade e onde começo eu.

Corro porque ficar parada dói. O chão treme sob meus pés, mas não é medo é lembrança. Cada passo acende algo que eu tentei enterrar, vozes tortas, risadas que não são minhas, promessas quebradas como vidro barato. Tudo fala ao mesmo tempo. Tudo quer atenção. Eu escolho o barulho mais alto.

Gosto do caos porque ele não exige explicação. Quando tudo explode, ninguém pergunta se eu fiz certo ou errado. Só olha. Só corre. Nesse instante, eu existo inteira. Sem rótulo, sem passado organizado, sem final feliz pendurado no pescoço.

Às vezes penso que sou defeito. Outras vezes, penso que sou a única coisa funcionando num mundo que finge ordem. Minha mente não anda em linha reta. Ela salta, cai, ri no meio do incêndio. É cansativo, mas é vivo.

Há momentos silenciosos raros, perigosos. Neles, quase lembro quem eu fui antes das rachaduras. Quase. Mas logo algo estala, algo brilha, algo explode de novo, e eu agradeço. Porque lembrar demais é pior do que perder o controle.

Não sou louca. Sou fragmentada. Sou feita de pedaços que aprenderam a sobreviver sozinhos. Se isso assusta, melhor manter distância. Se não, cuidado.

Faíscas não avisam antes de queimar.