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Entre luzes que piscam como pensamentos defeituosos, ela anda sem ritmo fixo. Às vezes corre. Às vezes para. O mundo nunca acompanha a velocidade da mente dela, por isso tudo parece atrasado, errado, fora do lugar.

Há dias em que o silêncio pesa mais que explosões. Nesses momentos, o som que machuca vem de dentro. Fragmentos de lembranças surgem sem convite, embaralhados, como se alguém tivesse rasgado o passado e colado de volta do jeito errado. Nada se encaixa, mas tudo insiste em existir.

Ela ri. Não por alegria, ri para não desmoronar. O riso vira escudo, ruído, distração contra a própria consciência que ameaça engoli-la. Quando o caos explode ao redor, finalmente há coerência: fora está tão quebrado quanto dentro.

Cada decisão nasce impulsiva, porém sincera. Não há planos longos, apenas instintos afiados. O perigo não assusta; a previsibilidade, sim. Ser livre, para ela, é permanecer instável, nunca permitir que a prendam em versões passadas de si mesma.

No fundo, não quer destruir o mundo. Quer provar que sobreviveu a ele. Que mesmo rachada, ainda pulsa. Que mesmo perdida, escolhe seguir. Porque controlar o caos nunca foi o objetivo.

Ser o caos… sempre foi a única forma de continuar viva.