Debaixo da água congelada, umas flores minúsculas começam a aparecer do nada, como sussurros que o gelo guarda. São tão delicadas que parece que vão quebrar só de olhar, mas elas ficam ali, quietinhas, brilhando num azul gelado. Não é pra mostrar pro mundo, é só um jeito de existir no silêncio absoluto, no frio que não perdoa. Elas me fazem pensar que às vezes a gente também precisa virar parte do inverno pra conseguir florescer. Tudo ao redor é pesado, parado, como se o tempo tivesse esquecido de andar. Mas cada pétala deste florescer, mesmo na escuridão e na frieza, um suspiro de vida pode surgir.