Eu costumava acreditar que a liberdade era um estado natural, algo que ninguém poderia me tirar. Era como respirar: um ato tão simples que nunca me ocorreu pensar no que seria viver sem ele. Agora, trancado entre estas paredes úmidas e escuras, percebo o quanto fui ingênuo. A liberdade não é um direito; é um privilégio frágil, que pode ser arrancado com um único gesto, com uma única decisão tomada por alguém que nunca vai olhar nos seus olhos. O dia em que me prenderam ainda ecoa na minha mente. Não foi só o momento em que algemaram meus pulsos; foi quando senti, pela primeira vez, que minha vontade não me pertencia mais. Eu era levado, arrastado como um objeto, e cada passo dado por outros homens me lembrava de que meus pés não eram meus. Desde então, cada batida do meu coração carrega esse som: o som da posse, como se o mundo tivesse escrito o meu destino sem me consultar. Aqui dentro, o tempo não passa; ele pesa. As horas não são horas, são grilhões invisíveis. O silêncio só é quebrado pelos passos dos guardas e pelo ranger das portas de ferro. Às vezes me pergunto se ainda sou humano ou se me tornei apenas mais um número riscado na parede. A rotina é uma sentença dentro da sentença: acordar, comer, esperar, dormir. Nada muda. E isso é o que mais me tortura, o fato de que estou parado enquanto o mundo continua girando lá fora.