A coroa sempre pareceu pesada demais para algo feito de metal. Quando a colocaram sobre sua cabeça pela primeira vez, ele percebeu que o peso não vinha do ouro, mas das expectativas.
Do lado de fora, o povo via cerimônia, discursos firmes, gestos calculados. Do lado de dentro, havia noites sem sono e decisões que nunca agradavam a todos. Governar era escolher quem salvar quando não era possível salvar todos. Era sorrir em público depois de ter enterrado dúvidas em silêncio.
Ele aprendeu que poder não é sobre mandar, mas sobre responder. Responder por erros que não foram só seus. Responder por promessas feitas antes de sua chegada. Responder pelo futuro de gente que nunca saberia seu nome além do título.
A coroa não brilhava tanto quanto diziam. Havia marcas quase invisíveis em sua superfície — cada uma lembrando uma escolha difícil, um sacrifício necessário, uma renúncia pessoal. Ele já não era apenas um homem; tornara-se símbolo. E símbolos não descansam.
No fim, compreendeu que liderança não é deixar sua marca no trono, mas sair dele sabendo que os que vêm depois encontrarão menos ruínas e mais caminhos. A verdadeira herança não é o poder mantido, mas o peso que se aceita carregar para que outros andem mais leves.
- Mad, Habblive.