As ruas respiram como feridas abertas, cada esquina lateja com lembranças que não se encaixam. O som das explosões não é apenas ruído: é a tradução de pensamentos que não sabem permanecer inteiros. Cada faísca é uma memória rasgada, cada estilhaço um fragmento de identidade que insiste em se multiplicar.
O caos não é acidente, é escolha. É a forma mais honesta de existir quando o mundo insiste em impor ordem. Dentro da mente, vozes se atropelam, disputam espaço, e nenhuma delas se cala. Algumas sussurram segredos, outras gritam até romper o silêncio. Todas convivem, todas se alimentam da mesma energia instável que transforma dor em espetáculo.
Há quem veja apenas loucura. Mas por trás da desordem há uma lógica invisível, uma matemática feita de cicatrizes e gargalhadas. O riso não é alegria, é resistência. É a prova de que, mesmo quebrada, a mente ainda cria. Cria mundos tortos, histórias que não se sustentam, mas que brilham intensamente antes de se despedaçar.
E no fim, correr sem olhar para trás é mais do que fuga: é libertação. É a recusa em ser contida por lembranças, por regras, por qualquer coisa que tente aprisionar o que nasceu para explodir. Porque viver, para ela, é incendiar o próprio caminho e dançar sobre as cinzas.
-Condenado-