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jesa: a ceremony commonly practiced in korea. jesa functions as a memorial to the ancestors of the participants
berlin, 010825
haneul’s point of view
quando haneul vê o número de sua halmoni piscar na tela, ela se arrepende instantaneamente de ter pago um plano de telefone internacional para a idosa antes de partir da coreia do sul. a última atualização que sua avó tem dela é de quando ainda estava em seul supostamente à trabalho. ela suspira, conta até três e, por fim, decide atender a ligação.
quando você virá para jeonju? precisamos começar a preparar a jesa da sua mãe.
sem um bom dia (ou boa noite) e conversas fiadas introdutórias, direito ao ponto, sua halmoni é assim, com ela não há tempo para a futilidade que habita na cortesia. haneul respira fundo. detesta aquilo, detesta a ideia de anualmente deixar busan e tomar rumo para a cidade natal para preparar a jesa de alguém que sequer havia falecido. desde que sua mãe fugiu para as filipinas com outro homem, sua avó tomou a filha como morta. entretanto, todos no bairro em que haneul cresceu sabem a verdade: ela nada mais é do que uma criança que fora abandonada pela mãe adúltera, obrigada a viver à mercê dos cuidados de um pai alcoólatra. ainda assim, sua avó gosta de fingir, perpetua e protagoniza aquele teatrinho desde a completude dos oito anos de idade de haneul.
devo estar aí em alguns dias, eu só... eu só preciso que alguém me substitua no trabalho quando voltar para busan.
a mentira deixa um gosto amargo em sua boca. falta-lhe coragem para dizer que estava em outro continente, à quinze horas inteiras da coreia do sul. naquele ano, não terá panquecas de cebolinha para ela ou maçãs perfeitamente descascadas — não terá jesa.