#mixnmatch — hyuk’s point of view.
21082025.
Aquela semana definitivamente não era a melhor de Hyuk. Carregava uma nuvem escura sobre a cabeça difícil de afastar, que o impedia de se concentrar como normalmente fazia. Não era de se distrair fácil, pelo contrário, sempre mergulhou fundo em tudo que envolvia música. Dessa vez, entretanto, parecia que sua mente insistia em vagar. Era um sentimento estranho, quase incômodo, porque não combinava com o que conhecia de si mesmo. Ainda assim, tentou lidar da única forma que sabia: respirando fundo, prestando atenção nos pequenos detalhes que o puxavam de volta, se permitindo estar no presente nem que fosse por pequenos momentos.
A gravação do cover foi um desses pequenos momentos — não porque estivesse totalmente imerso o tempo inteiro, mas porque havia algo ali que o puxava quando sentia que ia se perder de novo. Às vezes era o toque da bateria de Samuel, que vibrava no peito como um lembrete físico; outras, os efeitos de Ronan, que pareciam redesenhar o espaço e deixá-lo curioso sobre o que viria a seguir. O mais constante, no entanto, era Dominic, que surgia sempre como um norte silencioso. Não cobrava foco, não exigia nada além de honestidade, e isso sempre bastou para ele. Hyuk se via observando cada instrução, cada gesto, tentando aprender mais com a pessoa que ele era que com as palavras que dizia.
Gravar músicas que não eram suas ajudou também. Era quase como tirar o peso de criar e apenas seguir o fluxo, se apoiar em melodias que já estavam prontas e, de alguma forma, torná-las suas por alguns instantes. Em Love Hangover, experimentou se perder no dueto com Arabella, deixando a voz se encaixar naturalmente na dela, sem se preocupar em soar perfeito. Em Westcoast Collective, abraçou o ritmo mais solto, deixando que as palavras quase faladas corressem no tempo certo, como se bastasse apenas estar presente. Já em Phone Numbers, encontrou refúgio na energia coletiva, no som de todos juntos batendo palmas e rindo entre os takes, como se aquele instante fosse maior do que qualquer coisa que pudesse pesar dentro dele. Nessas três, rimou mais do que cantou, e isso lhe trazia uma liberdade diferente. Rimar nunca pareceu carregar o mesmo peso que cantar — tinha algo de leve, quase brincalhão, que o levava de volta à adolescência, quando a música ainda era um jogo inofensivo com os amigos, um passatempo inocente, e não algo que o consumia por inteiro.
O clipe acabou sendo mais leve do que esperava. As câmeras gravavam, mas não exigiam nada além de estar ali. Caminhar pelas ruas, rir de algo sem sentido, cantarolar distraído, parecia mais fácil do que sustentar um palco sozinho. Mesmo em silêncio, sentia que aqueles registros seriam mais sobre o momento compartilhado e as lembranças que ficariam que sobre ser perfeito, e isso sempre o confortava. Música, para Junhyuk, era sobre sentir, fosse como fosse.
Hyuk sabia que não estava em sua melhor fase, mas descobriu que não precisava estar para que a música continuasse sendo um espaço seguro. Bastava um acorde, uma batida, um olhar de alguém que entendia. Não saiu daquela experiência com todas as respostas, mas saiu com a sensação de que, mesmo quando o mundo parecia maior do que podia carregar, ainda existia um lugar para se apoiar — e, naquela semana, esse lugar tinha sido a música.