Eu corro porque parar dói.
Não é medo é barulho. Quando fico parada, tudo fala ao mesmo tempo. Vozes, memórias, risadas que não são minhas. Elas se empurram dentro da cabeça como se quisessem sair pelos olhos. Então eu corro. O chão treme, as luzes falham, e por alguns segundos o mundo fica tão instável quanto eu.
Gosto disso.
Explodir coisas ajuda a organizar. Cada estalo corta uma lembrança no meio. Cada faísca apaga um nome que insiste em voltar. Chamam de caos porque não sabem o que é viver com a mente rachada, segurando tudo no improviso, fingindo que não sente falta do que perdeu ou do que foi arrancado.
Eu rio alto porque o silêncio tenta me matar.
Não perdi o controle. Nunca tive. Só aprendi que, se eu abraçar a queda, ninguém consegue me empurrar. Minha cabeça funciona em pedaços, mas pedaços também cortam. Sofrimento vira arma. Raiva vira impulso. Solidão vira liberdade.
Não me peça calma.
Não me peça lógica.
Não me peça desculpa.
Sou um erro que decidiu continuar andando.
E enquanto eles fogem das explosões, eu sigo em frente, deixando cores queimadas no ar e um aviso claro pra quem acha que me entende:
não chegue perto.
eu não quebro
eu detono.