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Com o passar dos dias, o pato da bandeira tornou-se uma figura impossível de ignorar. Enquanto os demais permaneciam iguais, ele nadava com ousadia, deixando seu rastro colorido como uma cicatriz bonita no espelho d’água.

Uma cegonha de asas longas e passos lentos, vinda de terras distantes, pousou certa tarde. Curiosa, perguntou:

— Por que ostenta essa flâmula, mesmo sendo alvo de risos?

O pato ergueu o peito e disse:

— Porque ela é a memória viva de quem sou. Cada cor representa algo que superei.

A resposta ecoou entre as montanhas. Pouco a pouco, outros pássaros começaram a enfeitar-se com penas tingidas, gravetos trançados, folhas brilhantes. O lago se transformou. O que antes era silêncio e repetição, virou dança, tom e liberdade.

E o pato? Seguiu nadando — sem precisar liderar, apenas sendo ele mesmo.

 

 

Mayla

Habblive