Quando arrancaram minha liberdade, não levaram só meu corpo, levaram minha pele, minha voz, o nome que eu gritei ao nascer. O tempo aqui dentro não passa, ele me atravessa como lâmina cega, arrancando tudo que ainda pulsa. Ouço passos que não são meus, respiro um ar que parece emprestado, e cada grade ao redor ri da minha impotência. Não há céu, só concreto e vozes que mandam calar o que resta de mim. Mas mesmo sem luz, há algo que ninguém toca: a chama que arde baixa, mas promete incendiar tudo.