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Estou preso, mas não derrotado. Aqui, entre paredes úmidas e sombras que parecem sussurrar meu nome, eu ainda sou eu. Eles tiraram tudo, o céu, o vento no rosto, até o direito de ouvir meu próprio silêncio, mas não conseguiram roubar o que carrego por dentro.

Eu lembro como era lá fora. Não a liberdade de andar pelas ruas, mas aquela mais profunda: a de dizer “não”, de amar quem eu quis, de ser quem eu era, mesmo que isso incomodasse. Foi por isso que me trancaram. Não por medo do que fiz, mas do que eu representava. Eles têm pavor de quem pensa por conta própria.

O tempo aqui não passa. Os dias se amontoam como poeira, e cada corrente que me prende só reforça uma coisa: eu ainda existo. Eles me chamam de louco, de ameaça, de erro, mas tudo o que fiz foi me recusar a abaixar a cabeça.

Às vezes penso que talvez ninguém vá me lembrar. Que vou apodrecer nesse buraco como tantos outros. Mas mesmo assim… eu não desisto. Porque enquanto houver pensamento, enquanto eu respirar e lembrar quem sou, eles não me venceram.

Não quero sair daqui para me vingar. Quero sair para lembrar ao mundo que espírito nenhum nasceu pra viver ajoelhado. Se eu tiver que queimar tudo por essa liberdade, que assim seja. Porque viver sem ela… não é viver. É só um castigo com fôlego.

E eu não fui feito pra morrer em silêncio.