O frio da cela já nem me incomoda mais, o que realmente machuca é não poder escolher nem o que pensar. Até o ar parece controlado, como se eu precisasse pedir permissão pra respirar. Roubaram de mim a liberdade de ir, de vir, de ser, minha voz se perde no vazio. Cada passo do guarda me faz lembrar que não sou dono nem do meu corpo. Mas por dentro… ainda existe algo vivo. Eu ainda sonho com o vento, com a rua, com o barulho da vida. E enquanto eu puder sonhar, eu vou sonhar.