Teve uma época, quando eu era pequena, que eu achava que estava apaixonada por um menino da minha sala. Ele nem era o mais bonito, nem o mais engraçado, mas tinha alguma coisa nele que me deixava estranha por dentro, como se eu tivesse com cócegas no coração (é bobo, eu sei). Eu lembro de ficar olhando pra ele no recreio e inventar desculpas só pra passar perto. Um dia ele me emprestou uma borracha e eu fiquei com ela por semanas, fingindo que tinha esquecido de devolver. Ainda tenho essa borracha guardada numa caixinha, toda apagada, mas sei que é ela. Não era amor, eu acho. Era só uma coisa bonita que doía um pouquinho. Um sentimento meio bobo, meio puro. Engraçado como a gente cresce, mas tem coisa que não cresce junto, só fica ali, quietinha.