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Com o passar dos dias, a curiosidade começou a se alastrar pelo lago das aves. A primeira a questionar-se foi a pata Maribel, uma anciã das montanhas. Não hesitou ao se aproximar e perguntar:
— Onde conseguiu essa bandeira, meu jovem?
O patinho apenas sorriu antes de responder. Seus olhos azuis brilhavam com determinação.
— Ela nasceu comigo, Maribel. Não é um só um pedaço pano, é quem eu sou.
A resposta ecoou intrépida entre as montanhas. Não demorou para que outros marrecos se aproximassem: alguns ainda hesitantes, outros apenas buscando certa compreensão. Foi então que o pato colorido decidiu ensiná-los como cada cor da bandeira representava algo essencial: coragem, liberdade, ternura, e acima de tudo, o orgulho de ser quem se é. Não impunha regras, apenas compartilhava seus princípios com os demais.
Certa manhã, quando o nevoeiro ainda cobria parte do lago, surgiu um grupo de patinhos jovens usando pequenas fitas nas asas, inspirados pelo pato colorido mais velho. Eram tímidos, mas determinados.
— Vimos em ti a coragem que nos faltava... — disse um deles, ainda retraído. — Agora queremos nadar ao teu lado.
O pato sorriu e, com um aceno suave, os acolheu. O lago, antes dividido por olhares e silêncios, aos poucos se tornava uma dança de cores. A bandeira já não era apenas dele, mas símbolo de um novo tempo.
Foi assim, entre reflexos e cantos, que nasceu uma nova tradição entre as montanhas: todo ciclo da lua cheia, os patos se reuniam para celebrar suas cores, suas histórias e suas diferenças, num espetáculo multicolorido.
E o pato da bandeira? Continuava nadando firme, à frente, não como líder, mas como quem um dia ousou ser inteiro.
Por: Eithel (Promo: Orgulho no Lago).