Eu não lembro qual foi a última vez que vi o céu.
Talvez tenha sido naquela tarde em que tudo desmoronou. Quando cercaram minha casa, quando chamaram meu nome como se fosse maldição, quando me disseram que lutar pela verdade era um crime.
Desde então, estou aqui.
Neste buraco sem tempo, sem cor, sem futuro.
As correntes apertam meus pulsos, mas o que mais dói… é o silêncio.
Eles não precisam gritar. A ausência de tudo já grita por eles.
Mas mesmo aqui, onde nem a luz alcança…
meu coração não se rendeu.
Ainda sinto o vento, mesmo que só em lembrança.
Ainda ouço os gritos de quem sonha com justiça.
Ainda carrego o peso de uma promessa que fiz — mesmo que tenha esquecido meu próprio rosto.
Eles acham que me quebraram.
Mas não entendem:
liberdade não é algo que se tira de alguém...
é algo que vive mesmo depois da queda.
E se este for o fim — que seja com meus olhos abertos.
Porque mesmo nas sombras, eu me recuso a esquecer quem sou.
Astro - Habblive