Olá, o meu nome é João. No colégio, chamam-me de 'Abacate', estou no 2° ano do Ensino Médio e não aguento mais este lugar! O motivo desse apelido? Não tenho a mínima ideia. No começo do ano, chegou uma menina novata ao meu colégio, linda, olhos azuis, uma perfeição em carne e osso. Na hora do intervalo, como não possuo muitos amigos e fico sem ninguém, ela veio falar comigo. Na hora, coração acelerou, a boca ficou seca, mas, tudo ocorreu bem! Bom, espero. O intervalo acabou e todos voltaram as devidas salas. Na hora da saída, olhei para trás e ela estava correndo e gritando: 'me espera, por favor', e claro, esperei por ela. Ela foi chegando perto e perguntei: 'o que aconteceu?', em tom de desespero, disse-me, que ouvira três indivíduos da sua sala, planeando algo contra mim. Sem hesitar, saímos da escola e ela foi-me contando sobre tudo que conseguiu perceber durante o caminho de casa, quando dei por mim, já estava em frente da minha habitação, e por pura coincidência, ela morava bem ali, numa casa, na qual mal conseguia ver, pois possuía, umas paredes enormes na qual impedia, qualquer tipo de assalto, despedi-me dela e fui para casa.

Acordei cedo, embora fosse sábado de manhã, não conseguia dormir mais, estava preocupado, com o que me esperava na segunda-feira, foi então que decidi que teria que fazer um plano, para conseguir me esquivar deles na segunda. Comecei a colocar todas as minhas ideias matinais num papel, para mais tarde proceder ao plano. A campainha tocou, ninguém aqui esperava visita, muito menos a esta hora, aquando no corromper da manhã, Rosa, surgiu à minha frente, surpreso mandei-a sentar e mostrei-lhe o papel na qual continha todas as ideias que me haviam surgido durante este tempo, e pedi ajuda, conversámos sobre tudo além do tema principal, fiquei a conhecer um pouco mais sobre a vida pessoal dela, e o porquê de ela ter vindo para cá. O dia passou a correr, combina-mos, voltar a estar juntos no domingo (amanhã). No dia seguinte, Rosa, veio mais cedo que o esperado, parecia cansada, mas talvez fosse apenas impressão minha. Mais um dia e passara a correr, e o plano estava concluído, acompanhei-a até casa, e com um abraço forte me despedi. Quando por fim, me deitei, sentia uma ansiedade profunda, mas estava confiante.

Finalmente segunda-feira chegou, estava-mos atentos a qualquer tipo de suspeitas, mas por estranho que pareça, nada aconteceu. O final do dia aproximava-se, aquando Rosa e eu estava-mos prestes a sair da escola, uma abacate surgiu pelos ares e aterrou na minha cabeça, estava um grupo enorme de pessoas, com abacates na mão e a atira-los contra nós, como não tinha tempo de executar o plano A, tinha que proceder ao plano B, peguei na mão dela e desatamos a correr, corremos o mais rápido que conseguimos até casa. A minha cabeça estava a sangrar, e portanto ela puxou-me ate à casa dela. Ao entrar, pude reparar na linda casa amarela, parecia uma casa feliz, levou-me até à casa de banho onde pôs em prática as suas aulas de primeiros socorros, janta-mos, as horas que eu passava com ela pareciam segundos, e portanto passavam a voar, liguei aos meus pais, avisando-os de que ia dormir em casa dela. Após vários filmes de terror, fomos finalmente até ao quarto dela, não era um quarto grande, as paredes eram roxas, e a decoração no geral era baseado em astrologia, continha várias estrelinhas espalhadas pelo teto, na qual brilhavam no escurinho da noite.

Os anos foram passando, e a minha ida para a faculdade se aproximava, desde sempre amei animais, e portanto o meu sonho de ser veterinário estava prestes a começar, já Rosa sonhava mais alto, prosseguiu jornalismo, cujo um dos seus maiores sonhos seria ser uma escritora conhecida mundialmente.

Longos anos se passaram, já eu empregado, casado, e com uma filha, na qual me lembrava muito Rosa pelas suas paixões semelhantes. Uma encomenda me foi entregue, continha um embrulho fora do normal, mas não continha nome do emissor, dentro vinha um pequeno livro verde e na sua capa havia um abacate desenhado, logo me apercebi que se tratava de Rosa. Com muita saudade lhe liguei, com muito orgulho a felicitei, e foi assim que recomeçou a velha amizade.

siy